Geração DUX em Mariana – Parte 1

Há uma semana iniciávamos uma imersão especial no DUX. Todos os anos um módulo do programa é dedicado a uma viagem para termos contato com experiências de organizações e empresas fora do Rio Grande do Sul. Nesta edição fomos a Mariana, em Minas Gerais, para conhecer o complexo trabalho da Fundação Renova nos processos de reparação e compensação após a tragédia da Barragem do Fundão, ocorrida em 5 de  novembro de 2015.

Um total de 39,2 milhões de metros cúbicos de lama de rejeito liberados com o rompimento desceram pelo córrego Santarém, seguindo pelos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce até o mar, vitimando 19 pessoas. O distrito de Bento Rodrigues, localizado a 24 quilômetros de Mariana foi o primeiro a ser atingida pelo lamaçal.  Na sequência, as comunidades de Gesteira (em Barra Longa) e Paracatu de Baixo foram atingidas. Os três povoados estão envolvidos em processos de reassentamento – a previsão é que o primeiro, Nova Bento, seja entregue às famílias em 2020.

A Fundação Renova é uma organização sem fins lucrativos criado por um Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) com a função de atuar na reparação  da tragédia. Conta atualmente com o apoio de sete mil profissionais – entre colaboradores diretos e parceiros. O sistema de governança da Renova reúne 42 programas, divididos em três eixos temáticos: Pessoas e comunidades; Terra e água; e Reconstrução e infraestrutura.

Reunimos aqui um resumo da agenda do nosso primeiro dia em Mariana.

A gestão do impacto e os desafios da reparação

Começamos nossa imersão no coreto da praça central de Mariana, em uma roda de conversa com profissionais da Fundação Renova.  O antropólogo Luiz André Soares, Gerente território em Mariana, e Thomás Lopes Ferreira, Gerente de território em Barra Longa, falaram sobre os diferentes aspectos envolvidos no acordo de reparação e compensação, o processo de diálogo com as comunidades, as dificuldades enfrentadas e a ambição, destacada por Soares, de transformar os 42 programas da Fundação em frentes de desenvolvimento com ações sustentáveis e duradouras.

Um dos pontos mais sensíveis do trabalho da Fundação é a elaboração da matriz de danos, que define, entre outras ações, as indenizações. “Todo mundo é atingido. Mas qual é a extensão e a tipologia de cada dano?”, resume Ferreira.

Reserva técnica e a restauração de obras sacras

A capela de São Bento, fundada em 1718, era um marco para a comunidade de Bento Rodrigues. Desde fevereiro de 2016, os objetos encontrados no interior do prédio e outros de valor histórico, religioso e cultural da cidade completamente atingida pela lama estão conservados em uma reserva técnica. Conhecemos o espaço e as etapas de catalogação, limpeza e  restauração. A arquidiocese e a comunidade de Bento Rodrigues têm o poder de decisão sobre o destino dos objetos ali reunidos.

O Futuro do Rio Doce somos nós

Passamos a tarde de quinta-feira conhecendo iniciativas sociais e culturais que integram a iniciativa “O Futuro do Riop Doce somos nós”. Jovens dos projetos Espaço Prainha, Casa Preta,  Recontando e Espaço das Artes falaram sobre suas experiências, expectativas e prepararam vivências para o grupo do DUX. Teve dança circular, integração e muito diálogo.

 

 

 

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