Texto dos duxers Caroline Martins, Lucas Cattani, Luiza Malheiros e Mateus Bataglin.

Na conferência realizada no Fronteiras do Pensamento no dia 30/09, o psicólogo social norte-americano Jonathan Haidt, professor do programa de Negócios e Sociedade da NYU Stern School of Business em Nova York, abordou temas que tornaram o documentário “O Dilema das Redes” – do qual ele também participa – assunto de muitas conversas nas últimas semanas.  Durante o bate-papo mediado por Luiz Felipe Pondé, Heidt respondeu perguntas sobre a Geração Z, sua relação com o uso intenso das redes sociais e o papel dos pais na educação infantil.

O psicólogo iniciou a conferência explicando a motivação por trás de seu livro “Coddling of the American Mind”, ainda não publicado no Brasil. Na obra, ele e Greg Lukianoff estudaram o papel das universidades no ensino de pensamentos distorcidos e indicam três grandes inverdades que inibem a educação: “o que não te mata, te faz mais fraco”; “sempre confie nos seus sentimentos”; “a vida é uma batalha entre bons e maus”.

Durante o desenvolvimento do livro, Haidt e Lukianoff já identificavam a tendência crescente de casos de depressão e ansiedade, mas somente agora, segundo o autor, é possível concluir de fato os efeitos do uso das redes sociais, tais como ansiedade, depressão e o próprio suicídio.

O autor também foi questionado sobre o papel dos pais no desenvolvimento dos filhos da Geração Z. Ele percebe uma superproteção nas classes média e alta. O autor falou sobre o descolamento do livre brincar para o que chama de “concierge parenting”. Essa mudança de mentalidade se dá a partir da mudança social para um contexto onde as famílias passam a ter menos filhos e podem focar mais no bem-estar deles. Entretanto, essa postura pode desacelerar o desenvolvimento das crianças. O caminho para criar mais autonomia, segundo Haidt, é encorajar as crianças a correrem pequenos riscos, colocando-as em situações onde elas têm o poder de escolher quais riscos estão dispostas a enfrentar: Nos tornamos antifrágeis quando podemos crescer quando desafiados.

Jonathan Haidt toma o cuidado, durante toda a palestra, em não realizar generalizações, pois entende que suas análises têm como base as classes média e alta, além de possíveis diferenças entre raças. O psicólogo também faz questão de não condenar ou exaltar nenhuma geração específica, mas sim expor que todas têm vantagens e desvantagens em relação às outras.

Haidt é um defensor de que a conversa entre pessoas com opiniões opostas pode ser benéfica se ambos têm real interesse em ouvir o outro. O cuidado que é preciso se ter, segundo o autor, é quando uma das partes tem como objetivo desacreditar verdades já estabelecidas normalmente por razões políticas, como o aquecimento global. O papel das mídias sociais nessas situações precisa ser discutido. As plataformas digitais, segundo o psicólogo, são o meio termo entre um jornal (onde o editorial é controlado) e uma praça pública (onde qualquer pessoa pode falar o que quiser).

Jonathan Haidt destacou ainda a importância de cada um se expor à vasta diversidade humana, especialmente a diversidade moral. Haidt se define como esperançoso e assustado sobre essa reinvenção. O autor reconhece a flexibilidade da natureza humana, mas também acredita que existe algo nela que não pode ser editado, alterado. A moral, de acordo o psicólogo, é tão variada pois é fruto da evolução (natureza humana) e cultura (construção social). Sendo assim, não existe só uma moral, pois somos múltiplos e quando entendemos isso, nos tornamos mais tolerantes.