Timothy Snyder – Um futuro com liberdade: como construí-lo?

Texto dos duxers Camila Cunha, Elisa Ponciano, Lucas Vasconcellos e Robson Hermes.

A conferência do historiador Timothy Snyder, realizada no dia 21 de outubro, trouxe instigantes contribuições acerca do título “Um futuro com liberdade: como construí-lo? ”.  Em sua fala, lançou algumas provocações sobre os processos decorrentes da nossa história, aquela marcada por atrocidades, democracia autoritária, mas também o oposto, ou seja, uma história altruísta com uma sociedade democraticamente livre.

E falar de liberdade é, também, se referir ao futuro. Não na ideia de um futuro clichê, mas sim da possibilidade de se pensar em outras perspectivas, que, segundo ele, devido aos sistemas e políticas em que vivemos, acabam tirando um pouco do anseio por se pensar em possibilidades de um futuro.

O historiador afirmou que todos os regimes políticos originalmente possuem ideias concorrentes sobre o futuro, mas que recentemente têm sido suprimidas por um cenário sobrecarregado seja pelo excesso de informações ou pelo turbilhão de conflitos gerados a partir delas.

Desse modo, cria-se a chamada “política da eternidade” na qual vive-se unicamente o presente, nega-se o passado e não almejam-se cenários possíveis para o futuro. Lógica no mínimo perigosa e contrária a liberdade. Os políticos tiranos atuais, a nível mundial, removeram o futuro da mesa de discussão. Isso é preocupante, visto que é preciso se comprometer com a verdade e com os fatos para alcançar a liberdade.

Snyder parte da premissa de que chegamos nesse ponto devido a “um erro intelectual” que teria surgido com desaparecimento d comunismo na Europa, fazendo com que não houvesse alternativas por exemplo ao capitalismo. E esse sistema passa a ser visto como a única possibilidade possível.

O pesquisador destacou também que os regimes políticos deterministas, quando levados ao extremismo, impedem a capacidade de desenvolvimento e expressão das sociedades, embora preguem a liberdade. Além disso, citou como consequências problemas estruturais como desigualdade radical na distribuição de renda e o fim da mobilidade social, que colocam a democracia e a liberdade em risco.

O palestrante considera as redes sociais como outro grande impeditivo para a livre expressão de ideias e desenvolvimento das discussões, uma vez que as pessoas passam grande tempo alimentando-se das “bolhas” de concepções semelhantes, gerando cada vez mais a polarização entre opiniões distintas.

Durante sua explanação, também, comentou sobre as dimensões da liberdade, entendida por ele como o maior valor a ser preservado. Ao final, lançou algumas sugestões para construir a resposta da pergunta “como construir um futuro com liberdade?”

  • Ideia de liberdade como algo humano (não deve haver “mercados livres” ou algoritmos livres);
  • Não imaginar que mecanismos nos trarão a liberdade, pois essa está intimamente ligada com ação;
  • Definir liberdade de maneira ampla;
  • Assumir o compromisso moral com a verdade.

Mesmo que a liberdade trate da individualidade de cada ser, ainda é um compromisso social. É preciso olhar para o passado, comum a todos, não de maneira determinante, mas com a intenção de analisar fatores políticos, econômicos e educacionais, para que assim possamos planejar e construir a nossa sociedade do futuro.