Entre tantas limitações e adaptações trazidas pela pandemia, é sempre bom compartilhar as boas notícias. Este ano temos a satisfação de oportunizar à turma do Geração DUX a participação no Fronteiras do Pensamento, que nesta edição está ocorrendo de forma virtual.
Para um melhor aproveitamento da atividade convidamos os duxers a se dividirem em grupos e produzirem um breve relato sobre suas impressões de cada conferência. Compartilhamos a seguir as impressões das duxers Lia Oliveira, Larissa Braga Alcantara, fernanda Saraiva e Tailane Dias.

“A conferência de Mia Couto foi um excelente “início” de Fronteiras do Pensamento na última quarta-feira, dia 16/09. O escritor apresenta o contexto do ser humano como um ser diverso, construído a partir de uma rede de histórias e conexões.  Porém, somos um paradoxo. Ainda vivemos em grandes bolhas que nos impedem de enxergar o próximo, pois nos encontramos muito absorvidos na nossa própria realidade.                                     

Para o escritor moçambicano, a sociedade não sairá melhor ao final da pandemia em um “novo normal”. Com um olhar pessimista, ele acredita que retornaremos ao velho normal, ao que ele chamou de “miséria melhorada”: iremos superar o novo vírus mas continuaremos a ignorar o “vírus” da fome e da sede que mata milhares.

A discussão sobre polaridade e o quanto hoje ela é fabricada por Fake News nos remete diretamente a nossa realidade política. Mas também podemos usar essa polarização para o campo das religiões e todas as outras formas de intolerância. Mia Couto faz uma analogia com a Bíblia para dizer que devemos nos reinventar e olhar sob novas lentes as mesmas teorias e imposições que perduram milênios, sem sabermos ao certo as suas origens. Temos que ser mutáveis e nos orgulhar do que somos.

Vale destacar também como Mia Couto, enquanto homem branco que nasce e vive num país majoritariamente negro, se coloca como um aliado na luta racial.  Causa o conforto ver que mais pessoas também se dão conta que podem apoiar a ascensão do negro numa sociedade opressora”.